Acho que eu descendo dos ursos


Enquanto a maioria das pessoas pesquisam se vieram ou não do macaco eu chego cada vez mais perto da conclusão que eu tenho como ancestral comum os ursos

O inverno ainda não começou oficialmente, mas já faz algumas semanas que está fazendo um frio desgraçado de doer os ossos. E quem convive comigo sabe que eu ando por aí repetindo, “eu detesto o frio. Eu já disse que detesto o frio?”. Tá bom que no inverno a gente fica chique, que dá pra usar bota (que eu adoro), que tem um monte de guloseimas deliciosas que ficam especialmente tentadoras nessa época, que é bom pra ficar juntinho com quem se ama...

Mas o frio é uma época de janelas fechadas, roupas em cima de roupas. Nessa época do ano tenho que me ‘degladiar’ com a preguiça. Para que ela não tome conta de mim e me impeça de malhar, sair, vibrar e compartilhar. Às vezes ela ganha e eu simplesmente me entrego às cobertas.

Como um urso antes da hibernação, sinto uma necessidade imensa de comer, de vivenciar todo tipo de prazer gastronômico. E lá se vai todo o esforço feito durante os primeiros meses do ano. No verão eu topo cortar carboidrato nas refeições noturnas, comer tudo integral, compor um prato com metade salada e um franguinho grelhado e passar longe do chocolate. Não faz mal, eu resisto...é verão! No inverno não dá, simplesmente não dá! Os ursos comem para aumentar a camada de gordura que tem sob a pele e diminuir o frio que sentem. Depois de não resistir, adivinha o que acontece com a minha camada de gordura.

Como um urso, tenho vontade de parar, descansar, dar um tempo... hibernar! Dormir por meses a fio enquanto o sol não voltar a esquentar de verdade.

Por isso, por mim, o ano inteiro podia ser verão. Com seu horário especial. Seu convite a uma roda de amigos rindo e tomando uma caipirinha...uma cerveja! Verão combina com festa, com uma piscina, uma cachoeira, a janela do carro aberta pro vento entrar. Sou movida a energia solar! E a todas pequenas alegrias do verão.

Porque sim!




















Por que você está lendo esse livro? Me perguntaram dia desses quando deram de cara com o meu recém adquirido “Comer Rezar Amar”, da escritora americana Elizabeth Gilbert. Porque sim, respondi eu sem muito tempo para elaborar uma explicação melhor. A torcida de nariz do meu interlocutor deixou claro que ele não tinha gostado muito da resposta que ouviu!

Fui pensar no assunto. Verdade, porque eu estou lendo o livro de uma mulher que viajou três países em busca de autodescobrimento e depois fez disso um best seller?

Não lembro muito bem como eu decidi que queria muito – na verdade cheguei a usar o termo mais repetidos pela mulherada, eu precisava – comprar. Fui à livraria determinada a isso. Entrei, achei e levei, simples assim!

Por que eu estou lendo esse livro? Pensando bem... porque sim, porque vi um monte de gente falar mal dele, vi um monte de gente falar bem, porque gostei da capa, porque o título me atraiu a ler a orelha e a orelha a ler o resto. Porque que é um livro com escrita leve. Por todos os motivos errados para escolher um livro e porque eu cansei de ler as coisas por algum motivo!

É isso, cansei de ler livros que tinham uma finalidade. Esse não tem! Quem disse que tudo tem que ter? Gente chata essa que acha que não deve haver motivo pra ler sobre alguém que foi pra Itália, Indonésia e Índia e resolveu compartilhar isso, e ganhar com isso! Nenhuma das duas coisas é um crime, é?

Como descobri que estou lendo porque sim, também descobri que posso ler por quanto tempo quiser. Já que não tenho compromisso, vou aproveitar a viagem! Assim como quem diminui o ritmo da pedalada para apreciar o visual, vou curtindo a minha leitura em doses homeopáticas.

E quando alguém me perguntar porque estou lendo, já tenho a resposta na ponta da língua!

É digno dos sábios mudar de ideia

["Talvez você já tenha lido isso em algum lugar" ]
Um dia resolvi fazer aulas de Muay Thai, ou boxe tailandês. Fazia parte de um projeto de me tornar uma pessoa melhor, mais ativa fisicamente e uma tentativa de encontrar alguma coisa que fizesse eu não desistir tão rápido de frequentar a academia. Sim, porque eu sempre tive milhares de desculpas para não ir à academia. Deu certo!

Às vezes falho, mas ainda posso dizer que vou religiosamente às aulas. Ao contrário do que imaginava não me tornei uma pessoa mais agressiva depois dos treinos. Descobri uma válvula de escape para o estresse e uma poderosa arma contra a TPM avassaladora que sempre me visitava.

No começo repetia para mim mesma, eu só quero me exercitar, nada de pegar pesado. E quando assisti aos primeiros treinos-luta achava muito violento e pensava como alguém pode gostar de fazer isso! Jamais vou fazer isso. Deu tão errado!

Depois de um (bom) tempo já estava treinando sem aparadores. O que significa, em outras palavras, bater efetivamente em alguém. E só quem já ousou a pisar em um tatame vai compreender o respeito que é preciso ter com o outro para treinar dessa maneira. Parei no meio da brincadeira por problemas técnicos. Minha lente rasgou, voltei a usar óculos e tive que voltar aos aparadores. (por pouco tempo eu juro)

Ganhei um esporte para chamar de meu e uma academia para chamar de minha! Minha coordenação motora, reflexo e poder de concentração aumentaram. Minha confiança também. De alguma forma saber que você aguenta 1 hora de exercícios pesados e que é capaz de dar um soco e um chute – mesmo que isso jamais seja necessário - te fazem uma pessoa menos frágil. É uma pitada de ousadia e garra que gosto de acrescentar à minha feminilidade.

Na semana passada, assisti ao meu segundo evento de MMA – Mixed Martial Arts – o antigo vale tudo. Eu, quem diria! Estava na arquibancada, uniformizada. E como eu estava errada!

É digno de aplausos o que se vê no ringue. São sonhos colocado à prova. É uma luta, não uma briga! É um esporte e como outros, tem suas regras, sua beleza ! E que me desculpem os outros, mas não tem nada mais emocionante do que ver alguém que você conhece em cima do ringue. Não tem como não gritar, bater palmas e puxar o coro com o nome do lutador. E não tem como não explodir vendo que ele consegue se desvencilhar do adversário e acertar àquele golpe! Não tem como não ficar rouca torcendo por alguém que mesmo machucado consegue entrar, dar show e humildemente oferecer a vitória ao amor da sua vida e agradecer respeitosamente ao adversário.

Mudei de ideia sobre o MMA, que bom!