“Que sentimento é esse que acompanha a torcida pela seleção brasileira? Uma alegria, uma euforia, uma raiva e uma tristeza gratuita e genuína...”
É dia de jogo, veste a camisa. A mesma das outras partidas, afinal um pouquinho de superstição não faz mal a ninguém, somos brasileiros o país que é um caldeirão cultural. E sim a oração pode estar lado a lado com a mandinga. Ali, pertinho das previsões do mapa astral, convivendo com tantas outras crenças. É dia de jogo!
Vai pro bar!
Sim, a seleção não era a que a gente queria, podia ter um jogador mais habilidoso pra desequilibrar, podia ter um técnico menos turrão para gente acreditar, podia ter um esquema tático diferente ou qualquer outro palpite que cada técnico que mora dentro da gente pensou. Mas a bola rola e ninguém lembra mais disso! Vamos torcer, é dia de jogo!
Grita, aplaude, pula, canta, assopra a Vuvuzela, morde a unha,o dedo, a camisa. Da aquela levantadinha, a bola passa do meio de campo e vai...Gollllll! A alegria é genuína, e explode no rosto de todo mundo.
Termina o primeiro tempo. Estamos na frente!
O segundo tempo começa, o time está diferente. Algo acontece, o erro! O adversário empata. O silêncio invade o lugar, lotado e a expressão é a mesma em todos os rostos. Caramba, não podia ter tomado esse gol!
Leva um tempo até a torcida voltar a fazer barulho, mas ela volta. Tudo bem ainda dá! ‘Bora’, vamos jogar!
Mais um, assim não dá!
O nosso jogador é expulso! Porra Felipe Melo!
Parede impossível,mas todo mundo ainda acredita. A fé é genuína, vamos torcer. É dia de jogo.
A essa altura, ninguém desgruda os olhos do telão e cada bola brasileira que passa do meio de campo merecer ser empurrada para área adversária pelos gritos e gestos de cada torcedor. A essa altura ninguém bebe nem come mais nada! As atenções são só do jogo. É fácil perceber isso olhando em volta e constatando que os garçons da casa então sentados atrás de você. Vai Brasil!
Um homem sozinho vira a esperança da nação de chuteira e sabe disso! É fácil perceber por sua expressão, os olhos de quem está diante de um desafio que vai além de bater na bola e acertar. Não deu!
A poucos minutos do final da partida o coração está na garganta. Os palavrões na ponta da língua. Vai! Acredita! Só um e vamos para a prorrogação....
O árbitro apita e pede a bola!
Acabou....
A tristeza é genuína!
Tal qual um luto, o fim de um relacionamento, o fracasso de um projeto pessoal ou profissional. A garganta fica com um nó! Vamos voltar para casa mais cedo, porque para nós a brincadeira chamada Copa do Mundo, desta vez acabou.
Vamos recolher a bandeira, enxugar a lágrima que não se segurou e rolou.
E ‘bora’ analisar o jogo, desdenhar o campeonato, culpar o juiz, o técnico, a bola, o time inteiro ou só um jogador! Vai sobrar para todo mundo! É dia de jogo e perdemos.
Que sentimento é esse que contagia a torcida brasileira em copa do mundo?
