
Sempre me questionaram o porquê de eu tirar os óculos para aparecer em fotos. Minha resposta era sempre bem humorada e fazia menção a esse trecho – título – da música dos Paralamas. Pouca gente entendia, afinal me descrever incluía, inevitavelmente, o cabelo enrolado e óculos. Para os outros essa era uma das minhas referências pessoais. Para mim não! Não é exatamente que eu odiasse meu companheiro de tantos anos – uso óculos desde que apaguei a velinha com formato de número três de um bolo em formato de coelho – mas sempre achei que eles me limitavam e, de uma certa forma, me escondiam. Até gosto da armação marrom com listinhas pretas que aderi desde o final da faculdade, elas me dão o tal ar intelectual e descolado que todos os ensinamentos de “como fazer a escolha certa de seus óculos” repetem, mas eu queria um algo mais.
Sou uma eterna admiradora da capacidade que o ser humano tem de criar, por isso, não canso de me admirar minhas lentes de contato. Pensar que os 9,25 graus que estavam naquele vidro que precisava de uma armação de acetato para ficar apoiada sobre o nariz e orelhas, agora estão concentrados em uma gelatinazinha meio transparente, meio azul que – com ajuda de uma loção específica – grudam com uma facilidade absurda na íris dos meus olhos é sensacional! Engraçado é ver que quem nunca usou óculos na vida nem sempre entende essa conquista. Por isso resolvi registrar o que muda quando a gente troca os vidros pela gelatinazinha.
Água não é mais um problema – Seja em estado líquido ou gasoso. Mesmo que o chocolate, o café ou o chá estejam quentes quando chegarem próximos à boca, a visão não fica embaçada. Também dá pra aproveitar a chuva sem ter o efeito gotinhas no pára-brisas.
Troca um pelo outro – Só quem usa óculos de grau alto sabe a frustração que é não poder escolher óculos de sol que combine com seu estilo, que esteja na moda ou coisa assim. A limitação é àqueles nos quais é possível colocar graus e acredite, são pouquíssimos. Usar óculos como acessório sob a cabeça também é algo impensável quando os de grau nos acompanham.
Sem acidentes – eu sou desastrada de nascimento, isso é fato, mas sem os óculos dá pra beijar, beijar e beijas sem machucar o namorado quando você vira o rosto de repente. Também não vou mais precisar – eu juro que teve professor que me disse isso quando eu era pequena – escolher se eu tiro óculos e fico sem enxergar ou se eu me arrisco na prática de esportes.
Fim do escorrega – por falar em esporte, outra vida não precisar ficar levantando os óculos que escorregam com o suor, tarefa especialmente difícil com luvas de boxe.
Em 3D - essa é a mais difícil de explicar, com os óculos a visão periférica fica limitada, a sensação que eu tenho – agora que conheço a outra maneira de ver – é de que via tudo apenas em duas dimensões. É como comparar Mário Broz (Super-Nintendo) com Residente Evil (Playstation)
Paras as meninas – perdia um tempão no esquema lápis-sombra-primeira camada de rímel e segunda camada de rimel – para ser humano nenhum notar que eu estava maquiada. Agora abuso de mais esse recurso e dá-lhe cores.
Dá um certo trabalho, dá
Incomoda no começo, incomoda
Mas prefiro esperar cirurgia corretiva, abusando desses recém descobertos prazeres
Ah ... outra coisa que mudou também é que agora não preciso mais tirar os óculos para as fotos...