Tem Hífen?





Ônibus Para São Paulo
O que significa: Estão pedindo ônibus para a cidade? Algum ônibus parou a cidade por algum motivo? É verbo ou artigo?

Desde que as ideias perderam os acentos alguns conceitos gramaticais precisaram ser desempoeirados da minha cachola. Outro dia achei até engraçado quando minha mãe surgiu do quintal lá de casa surpreendida porque tinha acabado de ouvir no rádio que micro-ônibus agora se escrevia assim, separado! Tá certo, a regra começa a valer mesmo a partir do ano que vem, mas no trabalho resolvemos adotar as modificações desde o início de janeiro. Confesso que não engrossei e a lista daqueles que faziam campanha contra as mudanças, achei que era muito barulho por nada ficar protestando por causa de acentos, tremas e hífens, mas tenho sofrido com a tal reforma.

Concordo com o fim do trema, acho até que ele já vai tarde, eu não escrevia nada com trema há séculos, quem insistia em botar – e ainda insiste – os pingos nos us era meu corretor do Word. Mas sabe, tenho sentido arrepios cada vez que vejo alguma estreia ou plateia... E cá entre nós, andei trocando os pelos dos textos que escrevo sobre cães, agora uso pelagem. Um jeito de diminuir o estranhamento!

O mais penoso para mim tem sido o hífen. Eu não entendo o hífen!
Gente de Deus, a pergunta que mais se ouve por aqui é. Tem hífen?
Está difícil me habituar com a ultrassonagrafia, a autoescola, micro-ondas. Tenho, já li e já reli as regras, mas não me canso de tentar entender. Quando é separado, quando dobram as vogais, quando o sinal gráfico aparece?
A julgar pelo que vi outro dia desses em revistas de grande circulação eu não estou sozinha nessa. A Vida simples (Editora Abril) publicou em sua última capa um auto-sabotagem bem grande. Enquanto a Superinteressante (Editora Abril) em uma matéria brilhante sobre a farsa das dietas (prometo um post só sobre isso) mandou um autosabotagem.
Definitivamente, eu não entendo o hífen!

Seria bem mais fácil se a regra tivesse ficado como sugeriu o meu namorado. Junta tudo e esquece o tracinho!

Hare Baba



Dia desses parei para uns minutos no canal global para não dormir enquanto o CQC não começava e fui surpreendida por uma lição da cultura indu-tupiniquim da novela “Caminho das Índias” – por falar nisso, gente a novela está na metade e até agora ninguém explica o fato do povo que mora em um país asiático falar português na novela. Os personagens vivem na ponte área Brasil-Índia e todo mundo se entende! Vendo a novela, os mais desavisados podem achar que lá das duas uma: ou os indianos também estão se habituando com a nova reforma ortográfica da língua portuguesa, ou na pior das hipóteses, além da capital do Brasil ser Buenos Aires, andarmos pelados no meio da selva, aqui se fala um dos 400 idiomas oficiais do país em questão – mas voltando o ensinamento.

O resumo da cena é mais ou menos o seguinte. Na cozinha de uma das casas as indianas, que agora precisam se acostumar com uma firangue estrangeira na família comentam nossos costumes indignadas. A conversa ia por esse lado, uma dizia que a gente não usa maquiagem para ficar em casa, a outra que a gente não usa seda para ficar em casa, e outra quase horrorizada que a gente não se enfeita pra ficar em casa. Que nós só fazemos isso quando vamos para rua! E uma das mulheres finaliza com falando sobre a duração dos nossos relacionamentos amorosos e a fidelidade de nossos companheiros.

É algo a ser pensado!

Eu não nasci de óculos




Sempre me questionaram o porquê de eu tirar os óculos para aparecer em fotos. Minha resposta era sempre bem humorada e fazia menção a esse trecho – título – da música dos Paralamas. Pouca gente entendia, afinal me descrever incluía, inevitavelmente, o cabelo enrolado e óculos. Para os outros essa era uma das minhas referências pessoais. Para mim não! Não é exatamente que eu odiasse meu companheiro de tantos anos – uso óculos desde que apaguei a velinha com formato de número três de um bolo em formato de coelho – mas sempre achei que eles me limitavam e, de uma certa forma, me escondiam. Até gosto da armação marrom com listinhas pretas que aderi desde o final da faculdade, elas me dão o tal ar intelectual e descolado que todos os ensinamentos de “como fazer a escolha certa de seus óculos” repetem, mas eu queria um algo mais.
Sou uma eterna admiradora da capacidade que o ser humano tem de criar, por isso, não canso de me admirar minhas lentes de contato. Pensar que os 9,25 graus que estavam naquele vidro que precisava de uma armação de acetato para ficar apoiada sobre o nariz e orelhas, agora estão concentrados em uma gelatinazinha meio transparente, meio azul que – com ajuda de uma loção específica – grudam com uma facilidade absurda na íris dos meus olhos é sensacional! Engraçado é ver que quem nunca usou óculos na vida nem sempre entende essa conquista. Por isso resolvi registrar o que muda quando a gente troca os vidros pela gelatinazinha.
Água não é mais um problema – Seja em estado líquido ou gasoso. Mesmo que o chocolate, o café ou o chá estejam quentes quando chegarem próximos à boca, a visão não fica embaçada. Também dá pra aproveitar a chuva sem ter o efeito gotinhas no pára-brisas.
Troca um pelo outro – Só quem usa óculos de grau alto sabe a frustração que é não poder escolher óculos de sol que combine com seu estilo, que esteja na moda ou coisa assim. A limitação é àqueles nos quais é possível colocar graus e acredite, são pouquíssimos. Usar óculos como acessório sob a cabeça também é algo impensável quando os de grau nos acompanham.
Sem acidentes – eu sou desastrada de nascimento, isso é fato, mas sem os óculos dá pra beijar, beijar e beijas sem machucar o namorado quando você vira o rosto de repente. Também não vou mais precisar – eu juro que teve professor que me disse isso quando eu era pequena – escolher se eu tiro óculos e fico sem enxergar ou se eu me arrisco na prática de esportes.
Fim do escorrega – por falar em esporte, outra vida não precisar ficar levantando os óculos que escorregam com o suor, tarefa especialmente difícil com luvas de boxe.
Em 3D - essa é a mais difícil de explicar, com os óculos a visão periférica fica limitada, a sensação que eu tenho – agora que conheço a outra maneira de ver – é de que via tudo apenas em duas dimensões. É como comparar Mário Broz (Super-Nintendo) com Residente Evil (Playstation)
Paras as meninas – perdia um tempão no esquema lápis-sombra-primeira camada de rímel e segunda camada de rimel – para ser humano nenhum notar que eu estava maquiada. Agora abuso de mais esse recurso e dá-lhe cores.

Dá um certo trabalho, dá
Incomoda no começo, incomoda
Mas prefiro esperar cirurgia corretiva, abusando desses recém descobertos prazeres

Ah ... outra coisa que mudou também é que agora não preciso mais tirar os óculos para as fotos...

Sexo Oral







Gente, confesso que sou assídua leitora dos veículos destinados a mulherada. Em parte por causa do meu trabalho com assessoria de imprensa, porque nós mulheres somos as primeiras a achar cães e gatos – grande foco da maioria dos nossos cliente – as coisas mais cuticutis e ownnn do mundo, por isso chove pedidos aqui desses veículos. Então, tenho acesso aos mais diferentes portais, blogs, revistas e jornais destinados a esse público. E por incrível que possa parecer o assunto que mais figura nestas mídias é o tema sexo

Pena que só são publicadas coisas do gênero: Vire uma gata selvagem e enlouqueça – o; 200 maneiras de enlouquecer seu homem na cama; deixe ele completamente louco. Quando variam, os temas giram em torno da localização das zonas erógenas (estou para ter notícias de alguém que disse um palavrão como esse na hora do sexo) e como localizar os pontos G, H, F, W.

Toda essa enxurrada de informação me leva a algumas conclusões e traz algumas dúvida também. A primeira delas é que a mulherada que se diz muito moderna, libertária e coisa e tal, está mais uma vez focando a sua vida no outro e ai como diz um colega, azeda o pé do frango! Ô mulherada, fazer sexo não deveria ser algo espontâneo, divertido e prazeiroso primeiro para si mesma? Pra que seguir uma receita de bolos, uma etiqueta social na hora do rala e rola – passo número um sinta-se desejada, passo número dois faça cara assim ... e assim por diante. Além de provar que somos as melhores no trabalho, as mais saradas, as mais mais em tudo, parece que temos que provar também que somos multiorgasmicas!!!

Pior é que a maioria das tais dicas e descobertas fantásticas se repetem e repetem, talvez fosse o caso de revezar um pouquinho e publicar algumas dessas matérias nos portais masculinos e trazer as deles – que tem como grande foco o lema: aproveite a vida – para as páginas femininas. ou quem sabe aceitar o desafio de uma amiga jornalista e criar um portal diferente com matérias do tipo: Não transo em locais públicos!

Um pouco de romantismo...



Precisa escrever um texto?

foto Fábio Oliveira - Quinzinho de Barros- Sorocaba/ SP

Para não dizer que não falei das Flores



as rosas são símbolos da delicadeza
do eterno
do simétrico
são iguais em sua maioria
são o sinônimo de perfeição

a beleza do hibisco repousa na imperfeição
na originalidade
de suas formas e texturas
na explosão de cores
que ora se mesclam
ora se decompõem

e eles são belos
no plural
ou no singular

florescem o ano todo
preferem a liberdade
estão do lado de fora

são democráticos
adornam os cabelos
estampam a parede
a roupa, a pele

Os hibiscos
são símbolo nacional do paraíso
do afrodisíaco
terra das ondas perfeitas,
da vida mansa e danças em hula

Regem o signo
dos que se abrem pro mundo
dos que doam de si
dos que tem sede de conhecimento

Se os girassóis buscam a luz
se a posição ao sol determina sua direção
sua vivacidade e aparência
se a claridade dita inclusive seu tempo de existência

os hibiscos também preferem a luz
exibem todo seu esplendor nos dias brilhantes
mas se fecham, apenas
se recolhem nos dias escuros
em um estado de semi-hibernação
esperando condições favoráveis
para se abrir novamente
e exibir toda sua inquietude





(título emprestado de Geraldo Vandré)
foto: Tay Bueno - Quinzinho de Barros - Sorocaba - SP